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Capítulo 29: O Café Queimado

Ela entrou no café como quem não espera nada — mas já sabia que tudo podia acontecer. O lugar era o mesmo. A mesa, a luz, o cheiro. Mas ela não era mais a mesma. E ele também não. Ele já estava lá. Sentado, como antes. Mas agora com um olhar que não se escondia. Quando a viu, não sorriu. Apenas a observou. Como quem reconhece um incêndio prestes a reacender. Ela se aproximou devagar, sem pedir licença. Sentou-se à frente dele, cruzou as pernas com precisão. O silêncio entre os dois era denso, quase palpável. — Você ainda toma café como se fosse pecado — ela disse, provocando. — E você ainda chega como se fosse perdão — ele respondeu, sem piscar. Ela riu. Um riso baixo, cheio de tensão. Ele se inclinou, os olhos fixos nos dela. — Você veio por acaso? — Eu não acredito mais em acaso. Ele tocou a borda da xícara, mas não bebeu. Ela passou os dedos pelo colar, como quem disfarça o desejo. E então, sem aviso, ele falou: — Eu pensei em você ontem. E não foi lembrança. Foi vontade. Ela mordeu...

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Capítulo 28: O Tempo que se Reencontra

Capítulo 27: O Começo que se Reescreve

Capítulo 26: O Tempo que Reencontra

Capítulo 25: O Homem que Segue com o Coração Acordado

Capítulo 24: A Mulher que Aprende a Ler Silêncios

Capítulo 23: A Palavra que Encontra

Capítulo 22: O Texto que Nunca Foi Enviado

Capítulo 21: O Homem que Aprendeu a Seguir

Capítulo 20: A Volta ao Centro

Capítulo 19: O Desmonte