Capítulo 2: Vai ficar pra sempre

O elevador subia devagar, como se soubesse que cada segundo ali era uma provocação. Ele encostado na parede, ela de frente, os olhos fixos nos dele. Não havia palavras — só o som do motor e o silêncio carregado de intenções.

Quando a porta se abriu, ela puxou a chave do bolso como quem revela um segredo. O apartamento era pequeno, mas elegante. Luz baixa, cheiro de incenso, uma taça de vinho esquecida na bancada. Ele entrou sem perguntar nada. Ela trancou a porta com um clique que soou como um ponto final — ou talvez um ponto de partida.

— Você ainda me deseja? — ela perguntou, tirando os brincos com lentidão.

— Desde o dia em que te perdi — ele respondeu, sem hesitar.

Ela se aproximou e tocou o colarinho da camisa dele, desfazendo o primeiro botão com a delicadeza de quem abre uma carta antiga. Os dedos dela sabiam o caminho. O corpo dele lembrava. E ali, entre memórias e vontades, o tempo deixou de existir.

Os beijos vieram como tempestade: urgentes, molhados, cheios de tudo que foi contido por meses. As roupas caíram como folhas no outono, sem pressa, mas inevitavelmente. A cama os recebeu como cúmplice silenciosa, e os lençóis se tornaram palco de um reencontro que não precisava de explicação.

Era mais que desejo — era saudade com fome, era amor em carne viva. Cada toque dizia “ainda sou teu”, cada suspiro pedia “não acaba agora”.

Depois, deitados lado a lado, ela passou os dedos pelo peito dele como quem escreve uma carta invisível.

— A gente não vai durar, né? — ela disse, sem tristeza.

— Não. Mas isso aqui... vai ficar pra sempre.

Ela sorriu, e ele soube que aquela noite seria lembrada em cada silêncio futuro, em cada cheiro que o tempo não apagasse.

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