Capítulo 4: Prólogo

Ele nunca foi fã de cafés lotados, mas naquele dia, o universo parecia conspirar para que ele estivesse exatamente ali, às 16h47, com um cappuccino morno e um livro que fingia ler só para parecer interessante.

Ela entrou tropeçando, literalmente. O salto prendeu-se num degrau invisível e, num movimento digno de um Oscar, ela quase caiu — mas se apoiou na mesa dele, derrubando o cappuccino e a pose intelectual de Ele ao mesmo tempo.

— Ai, meu Deus! Me desculpa! — disse ela, com os olhos arregalados e um sorriso nervoso que tentava compensar o desastre.

Ele olhou para a camisa manchada, depois para ela, e respondeu com um meio sorriso:

— Se essa era sua forma de quebrar o gelo, funcionou.

Ela riu. Um riso leve, quase musical. E por um instante, ele esqueceu da camisa, do livro, do café. Só conseguia pensar que aquele tropeço tinha mais charme do que qualquer entrada triunfal.

— Eu sou péssima com saltos. E com cafés. E, aparentemente, com primeiras impressões.

— Então estamos empatados. Eu sou péssimo com conversas, mas ótimo em segundas chances.

Ela mordeu o lábio, divertida. Sentou-se à mesa ao lado, mas virou a cadeira discretamente na direção dele. E assim, entre desculpas e sorrisos, começou algo que nenhum dos dois sabia nomear — mas que já queimava sob a superfície.

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