Capítulo 11: O Tempo Que Não Diz

Ela não sabia exatamente por que sentou-se à mesa. Talvez fosse o olhar dele, ou o jeito como o silêncio entre os dois parecia mais confortável do que qualquer conversa com alguém que ela via todos os dias. O expresso esfriava ao lado, mas ela não se importava. Ele estava ali, e isso bastava — ou quase.

— Você parece diferente — ela disse, observando os traços mais maduros, o jeito mais contido.

— O tempo faz isso. Ou talvez seja só a falta de café derramado.

Ela sorriu, mas havia algo nela que começava a se inquietar. Ele estava mais centrado, mais seguro. E havia uma calma nele que não combinava com a urgência que ela lembrava. Como se agora ele tivesse onde voltar. Como se já tivesse escolhido.

Mas ele não dizia nada. Nenhuma menção a alguém. Nenhum gesto que revelasse o que ela começava a suspeitar. E isso a deixava dividida — entre o desejo de perguntar e o medo da resposta.

— Você está bem? — ela perguntou, tentando sondar sem invadir.

— Estou. Hoje, mais do que ontem.

Ele não mentia. Mas também não dizia tudo. E ela sentia isso. Sentia que havia uma vida dele que não cabia naquela mesa, naquele café, naquele reencontro. Mas ele estava ali. Inteiro. Presente. Como se o mundo lá fora tivesse sido pausado só para aquele momento.

— Eu devia estar em outro lugar agora — ela disse, olhando para o relógio.

— Mas está aqui. Às vezes, o futuro pode esperar só um pouco.

Ela o encarou. E naquele olhar havia tudo: dúvida, desejo, lembrança. Ela sabia que não devia se deixar levar. Sabia que ele talvez já pertencesse a outro tempo, a outra história. Mas naquele instante, o mundo parecia menor. E ele, maior.

Ele não tocou nela. Não prometeu nada. Só a ouviu, riu com ela, falou sobre livros, sobre música, sobre tudo que não envolvia o que não podia ser dito. E ela ficou. Um pouco mais. Porque às vezes, o que não é dito é o que mais se sente.

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