Capítulo 14: O Tempo Que Leva e Deixa
Os meses passaram como passam os dias que não se espera: rápidos, silenciosos, sem grandes rupturas. Ela voltou à rotina, aos compromissos, aos planos que sempre soube que precisava cumprir. O reencontro com Ele tornou-se uma lembrança que não doía, mas também não desaparecia.
Às vezes, ao ouvir uma risada parecida, ao sentir o cheiro
de café forte, ao cruzar uma rua com luz baixa, ela se lembrava. Não com
saudade, mas com uma espécie de carinho contido. Como quem guarda uma
fotografia antiga em uma gaveta que raramente abre.
Ela conheceu alguém novo. Alguém gentil, estável, presente.
Alguém que não a fazia questionar o tempo, mas que também não a fazia esquecer
que, um dia, ela quis parar o relógio. E isso era suficiente. Ela estava feliz.
Não em êxtase, mas em paz. E paz, naquele momento da vida, era tudo o que ela
precisava.
Ele, por outro lado, não conseguiu seguir com a mesma
leveza.
O reencontro com ela havia deixado algo fora do lugar. Ele
tentou ignorar. Tentou se convencer de que era apenas nostalgia, uma faísca que
não tinha força para virar incêndio. Mas não era.
Ele estava em um relacionamento sério. Alguém que o amava,
que esperava por ele, que fazia planos. Mas Ele já não estava inteiro. A
lembrança do café, do olhar dela, da conversa que não aconteceu, começou a
ocupar espaços que não deviam ser dela.
Ele se tornava ausente. Não por maldade, mas por distração.
Por estar preso em um momento que não sabia como deixar ir. E aos poucos, o
relacionamento dele começou a desbotar. Não houve brigas, nem traições. Apenas
silêncio. E silêncio, às vezes, é mais cruel do que qualquer palavra.
Ela seguiu. Ele parou.
E quando o relacionamento dele terminou, Ele não chorou. Só
sentou no mesmo café, na mesma mesa, e ficou em silêncio. Pensando que talvez,
se tivesse dito algo, se tivesse pedido para ela ficar... tudo teria sido
diferente.
Mas ele não disse. E agora, tudo era passado.
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