Capítulo 28: O Tempo que se Reencontra

 O café daquela noite terminou sem promessas. Eles se despediram com um abraço contido, um olhar que dizia mais do que qualquer palavra. E seguiram. Cada um para sua vida, para seus compromissos, para suas versões atuais.

Mas algo havia mudado.

Nos dias seguintes, ela se pegava lembrando de frases ditas por ele. Não as mais intensas — as mais sutis. O jeito como ele falava sobre o que não foi, como se o silêncio também tivesse valor. E isso a tocava. Não como saudade, mas como reconhecimento.

Ele, por sua vez, voltava aos textos com outro olhar. A nova pessoa em sua vida era gentil, presente, mas ele já não conseguia escrever sem que ela — a do café — surgisse entre as linhas. Não como personagem, mas como ponto de origem. Tudo que ele sentia agora parecia ter começado ali.

O passado começava a se infiltrar no presente.

Ela lia um texto dele e sentia que estava sendo vista. Ele ouvia uma música que ela mencionou anos atrás e se pegava sorrindo. Ambos tentavam seguir, mas o tempo já não obedecia à lógica. O que viveram não queria ser apenas memória — queria espaço.

Ela começou a escrever sobre encontros que mudam sem continuar. Ele começou a falar sobre o que é eterno mesmo sem presença. E, sem saber, estavam escrevendo um novo capítulo — não juntos, mas em paralelo.

Até que, numa tarde qualquer, ela passou por aquele café. O primeiro. O da camisa manchada, do cappuccino derramado, do tropeço que virou história. E entrou.

Sentou na mesma mesa. Pediu o mesmo café. E ficou em silêncio.

Ele, naquele exato momento, escrevia sobre coincidências. Sobre como o tempo, quando quer, não precisa de ajuda — só de coragem.

O passado já não era passado. Era parte do presente. E o presente, agora, começava a se curvar diante do que ainda podia ser.

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