Capítulo 7: A Despedida que Não Veio

O café já estava quase vazio. As cadeiras empilhadas discretamente pelos funcionários anunciavam o fim do expediente. Ela olhou para o relógio, depois para Ele, como quem se lembra de que tem uma vida lá fora — uma vida que não inclui ele.

— Eu preciso ir — disse, com a voz firme, mas o olhar hesitante.

Ele assentiu, como quem já esperava. Ele não tentou impedir. Só sorriu, aquele sorriso triste que ela começava a reconhecer como parte dele.

— Claro. Foi... interessante.

Ela se levantou, pegou a bolsa, ajeitou o cabelo. Ele continuou sentado, observando cada gesto como se fosse uma despedida silenciosa. Ela deu dois passos, parou. Olhou para a porta, depois para ele.

— Você não vai dizer nada?

— O quê? Que eu queria que você ficasse? Você já sabe.

Ela mordeu o lábio. O mesmo gesto de antes, mas agora carregado de dúvida. Voltou dois passos, parou ao lado da mesa.

— Você é irritante.

— E você é indecisa.

— E você é... — ela começou, mas não terminou. Porque ele se levantou, devagar, e ficou diante dela. Perto o suficiente para que ela sentisse o perfume, o calor, a hesitação.

— Se você for embora agora, vai passar o resto da noite pensando se devia ter ficado.

Ela o encarou. O tempo parecia suspenso. Lá fora, a cidade seguia. Mas ali, entre os dois, havia um silêncio que gritava.

— E se eu ficar?

— A gente inventa um motivo. Ou não. Às vezes, o desejo é razão suficiente.

Ela sorriu. Pequeno. Quase imperceptível. E então, sem dizer mais nada, sentou-se novamente. Ele fez o mesmo. O café já estava fechado, mas ninguém os expulsou. Talvez porque até o tempo soubesse que aquela despedida... não estava pronta.

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