Capítulo 8: O Quase Adeus

Ela olhou para o relógio pela terceira vez. Não era sobre o tempo — era sobre o que ele representava. A vida dela estava em movimento, cheia de metas, prazos, decisões que não podiam esperar. E Ele, por mais encantador que fosse, era uma pausa que ameaçava virar desvio.

— Eu preciso ir — disse, desta vez com firmeza. — De verdade.

Ele não tentou impedir. Só a olhou com aquele misto de aceitação e desejo contido, como quem já sabia que ela pertencia a outro momento.

— Eu entendo — ele disse. — Você tem um futuro pra construir. E eu sou só... um café derramado.

Ela sorriu, triste. Ele fazia isso: transformava despedidas em poesia.

— Você é mais do que isso. Mas agora não é hora.

Ela se levantou, pegou a bolsa, e dessa vez caminhou até a porta sem hesitar. Mas antes de sair, parou. Virou-se. Ele ainda estava ali, sentado, os olhos fixos nela como se quisesse guardar cada detalhe.

— Você não vai pedir meu número? — ela perguntou, quase provocando.

— Não. Mas se você quiser me encontrar de novo... — ele puxou um cartão amassado do bolso e colocou sobre a mesa — ...é aqui que eu costumo estar às quartas. Sem expectativa. Só café e conversa.

Ela olhou para o cartão. Um nome de livraria, um endereço. Nada mais. Simples. Como ele.

— Você é estranho, Ele.

— E você é inesquecível.

Ela saiu. Sem olhar para trás. Mas levou o cartão.

E Ele ficou ali, sozinho, com a camisa manchada e o coração em silêncio. Ele não sabia se ela voltaria. Mas às vezes, o amor não precisa de garantias — só de uma chance.

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