Capítulo 9: O Quase Adeus
Ela se levantou com a decisão firme de quem sabe que precisa ir. A bolsa no ombro, o cabelo ajeitado com pressa, o olhar tentando não se prender mais do que já estava. Ele a observava em silêncio, como quem já conhecia o desfecho — e aceitava.
— Eu preciso ir — ela disse, sem hesitação.
Ele assentiu, devagar, com aquele meio sorriso que não pedia
nada.
— Claro. Você tem um mundo pra conquistar. E eu sou só um
intervalo.
Ela parou por um segundo, esperando talvez um gesto, uma
pergunta, um número rabiscado num guardanapo. Mas ele não se moveu. Continuava
ali, tranquilo, como se o tempo não o afetasse.
— Você não vai me pedir contato? — ela perguntou, quase
desafiando.
Ele olhou para ela com uma calma que doía.
— Não. Se for pra gente se encontrar de novo... vai
acontecer. A gente querendo ou não.
Ela sentiu um arrepio. Não pelo que ele disse, mas pela
forma como disse — como se soubesse que o destino não precisa de ajuda, só de
espaço.
— Você é estranho.
— E você é o tipo de mulher que o tempo não esquece.
Ela sorriu, sem querer. E naquele sorriso havia tudo:
desejo, dúvida, saudade antecipada. Ela virou-se e saiu, sem olhar para trás.
Mas ele sabia — ela pensaria nele. Não por escolha, mas porque certos encontros
se recusam a ser esquecidos.
Ele ficou ali, sozinho, com o café frio e o coração em paz.
Ele não tinha expectativa. Só a certeza de que, se fosse pra acontecer... o
universo daria um jeito.
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