Capítulo 25: O Homem que Segue com o Coração Acordado
Ele sabia. Sabia que aquele encontro no café havia mudado tudo.
Não porque foi longo, nem porque teve desfecho. Mas porque
foi real. E o real, mesmo breve, transforma.
Ele seguia escrevendo. Não para ela. Mas com ela dentro.
Como uma nota que ressoa em todas as melodias, mesmo quando não é tocada
diretamente. E isso o fazia mais consciente. Mais presente.
Ele começou a se relacionar com outra pessoa. Alguém gentil,
inteligente, com quem havia afinidade. Ele não comparava. Não buscava repetir.
Mas sabia que, por mais que se entregasse, havia uma parte dele que já havia
sido tocada de um jeito único — e isso não se desfazia.
Ele foi honesto. Com ela, com a nova pessoa, consigo mesmo.
Não prometia o que não podia cumprir. Mas também não se fechava. Porque o que
viveu com aquela mulher no café não o tornou indisponível — o tornou mais
desperto.
E assim, Ele seguia. Com alguém ao lado. Com ela na memória.
Com o coração acordado.
Porque há encontros que não precisam continuar para
permanecer.
E há pessoas que, mesmo ausentes, seguem presentes em tudo que somos depois
delas.
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