Capítulo 5: O Incômodo Charmoso
Ela tentou ignorá-lo. De verdade. Sentou-se na mesa ao lado, abriu o notebook, ajeitou os óculos e respirou fundo. Mas ele estava lá — o homem da camisa manchada, que agora soprava o café como se estivesse em um comercial de cápsulas aromáticas.
— Você sempre faz esse barulho? — ela perguntou, sem olhar.
Ele parou, surpreso. Sorriu, como quem sabe que está sendo
inconveniente e não se importa.
— Só quando estou tentando impressionar alguém.
Ela ergueu os olhos, cética.
— Impressionar com sons de café? Interessante estratégia.
— Funciona melhor do que parece. Já estamos conversando, não
estamos?
Ela revirou os olhos, mas não conseguiu conter um sorriso
discreto. Ele era irritante, sim. Mas havia algo ali — uma leveza, uma
confiança despretensiosa que a fazia querer continuar o jogo.
— Você sempre invade mesas alheias com cappuccinos suicidas?
— Só quando a pessoa parece precisar de um pouco de caos.
Ela fechou o notebook, cruzou os braços e o encarou.
— E você acha que eu preciso de caos?
— Acho que você precisa de algo que te tire da rotina. E eu
sou excelente nisso.
Ela riu. Um riso curto, quase involuntário. E naquele
instante, percebeu que ele era um incômodo — mas um incômodo charmoso. Como uma
música que você não quer gostar, mas acaba cantarolando.
— Tá bom, barulhento. Me convença. Você tem cinco minutos.
Ele olhou para o relógio, depois para ela.
— Cinco minutos é tudo que eu preciso. Mas se quiser me dar
dez, prometo que você vai rir, se irritar e, com sorte, me odiar um pouco
menos.
Comentários
Postar um comentário