Capítulo 13: O Eco dos Silêncios

Nos dias que se seguiram, ela tentou seguir o plano. A rotina, os compromissos, os objetivos traçados com precisão cirúrgica. Mas havia algo fora do script: uma lembrança que não pedia licença, que surgia entre uma reunião e outra, no meio de uma frase, no fundo de uma música.

Ele.

Não o Ele idealizado, nem o Ele do passado. Era o Ele do café, do reencontro, do olhar que dizia tudo sem dizer nada. Ela se pegava revivendo o momento em que se levantou, em que disse que precisava ir. E cada vez que lembrava, sentia um arrependimento sutil — não por ter ido, mas por não ter ficado só mais um pouco.

Ela se perguntava, em silêncio, se teria sido diferente. Se ele teria dito algo mais. Se ela tivesse perguntado. Se o tempo teria se curvado só um pouco para permitir o que o corpo queria e a mente negava.

Mas ela não sabia. E isso doía mais do que qualquer resposta.

Ele, por sua vez, também seguia sua vida. A rotina com outra pessoa, os compromissos que exigiam presença, os gestos que já não tinham surpresa. Mas o reencontro com ela havia deixado um rastro — como perfume em roupa limpa, como calor em pele fria.

Ele não se arrependia de não ter dito. Mas se perguntava, em silêncio, se ela teria ficado se ele tivesse pedido. E essa dúvida o acompanhava como uma sombra leve, que não atrapalha, mas nunca desaparece.

Ambos seguiram. Como haviam prometido. Como haviam dito que fariam.

Mas o encontro não foi esquecido.

Foi guardado. Como uma carta não enviada. Como uma música que não se canta, mas se ouve em pensamento.

E às vezes, no meio da tarde, ela olhava para o celular e pensava em escrever. E ele, ao passar por aquele café, desacelerava o passo, só por um segundo.

Porque há encontros que não terminam. Só se escondem no tempo.

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