Capítulo 24: A Mulher que Aprende a Ler Silêncios
Ela não procurou por ele. Mas passou a acompanhar o que ele escrevia.
Discretamente, como quem observa sem querer ser vista. Os
textos de Ele apareciam em coletâneas, em blogs literários, em redes sociais
compartilhadas por amigos em comum. E ela lia. Sempre. Não por saudade — por
reconhecimento.
Cada palavra parecia carregada de algo que ela conhecia bem.
O ritmo, o silêncio entre frases, a forma como ele falava de encontros breves
com a profundidade de quem viveu uma eternidade em minutos. Ela sabia que não
era sobre ela. Mas também sabia que, de algum modo, era.
E isso a tocava.
Ela já não buscava respostas. Já não se perguntava “e se?”.
Mas ao ler o que ele escrevia, sentia que o que viveram não foi esquecido. E
isso bastava. Era como se, mesmo distantes, ainda compartilhassem uma linguagem
secreta — feita de lembrança, de respeito, de intensidade.
Ela amadureceu. Aprendeu a viver com o que não foi. E,
curiosamente, isso a tornava mais inteira. Mais leve. Mais verdadeira.
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